• Dra. Marise Tinoco de Souza CRM 52-58210.

Tempo de PROTEÇÃO e Tempo de VACINAÇÃO

Atualizado: Jun 19


Imagem: boneco vacina

Site: http://www.policiacivil.am.gov.br/noticia/id/2412/cat/00000000000/

Estamos vivendo numa época da infecção pelo COVID-19, mas não podemos esquecer que as outras doenças, assim como outros vírus e bactérias também estão por aí.

Falando em infecção das vias respiratórias, não podemos esquecer que a pneumonia é uma doença presente, principalmente quando mudamos para uma estação mais fria do ano, por isso é importante a prevenção antecipada com a vacinação para pneumonia é recomendada.

A bactéria em questão que queremos combater com a vacinação para pneumonia é o pneumococo. Existem vários sorotipos dessa bactéria, por isso as vacinas são de amplo espectro, para tentar atingir o máximo de sorotipos possíveis.

As infecções pneumocócicas além da pneumonia, inclui a meningite, que pode acontecer por invasão cerebral no penumococo. Dentre as pessoas mais vulneráveis a essas infecções estão as crianças, idosos e pessoas com sistema imune deprimido, como aquelas que estão em uso de quimioterápicos ou na vigência de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

Algumas doenças também são importantes na avaliação do risco dos pacientes para infecções e/ou complicações, como exemplos: - Pacientes com doença pulmonar crônica (DPOC); - Pacientes com doenças como a insuficiência cardíaca são mais propensos a ter piores desfechos por pneumonia pneumocócica - Pacientes que fizeram retirada do baço ( esplenectomia), têm risco consideravelmente aumentado para sepse pneumocócica; - Pacientes com Implante coclear, também têm aumento de risco, principalmente para meningite pneumocócica.

Vamos falar sobre as vacinas: Existem dois tipos de vacinas, as polissacarídicas e as conjugadas. As vacinas polissacarídicas são compostas por polissacarídeos da cápsula de diversos sorotipos do pneumococo. Já as vacinas conjugadas, apresentam polissacarídeos ligados a proteínas e/ou toxóides, e por isso tem maior potencial imunogênico. As que dispomos para vacinação são:

A VPC13 (vacina conjugada) é composta de 13 sorotipos de pneumococo conjugados a uma proteína não-tóxica, semelhante ao toxóide diftérico, e previne até 90% dos casos de doença grave. As vacinas conjugadas estimulam a produção de anticorpos na mucosa, e isto reduz significativamente o transporte nasal do penumococo. Este fato é importante, pois o uso generalizado dessa vacina, reduz a colonização nasal e a propagação de pneumococos de crianças pequenas para crianças mais velhas não vacinadas e adultos, ou seja, faz um tipo de vacinação com efeito indireto. Essa vacina é encontrada exclusivamente no sistema privado. No sistema público, encontra-se disponível a VPC10, que pega um menor número de sorotipos.

A outra vacina, que é polissacarídica, foi modificada em 1983 para incluir 23 sorotipos mais frequentemente envolvidos em infecções patogênicas é a VPP23, complementando assim a vacinação para abranger uma cobertura vacinal maior.

Então, como ficam as recomendações para vacinação? Para crianças a partir de 2 meses e menores de 6 anos de idade é recomendada a vacinação rotineira com VPC10 ou VPC13. Para crianças com mais de 6 anos, adolescentes e adultos portadores de certas doenças crônicas, recomenda-se esquema com as vacinas VPC13 e VPP23. Para maiores de 50 anos e, sobretudo, para maiores de 60, recomenda-se esquema com as vacinas VPC13 e VPP23.

Qual deve ser o intervalo entre as vacinas? Crianças: Vacinação infantil de rotina, quatro doses: aos 2, 4 e 6 meses de vida e reforço entre 12 e 15 meses. Para crianças entre 1 e 2 anos e não vacinadas: duas doses com intervalo de dois meses. Para crianças entre 2 e 5 anos de idade e não vacinadas: uma dose. Para crianças entre 2 e 5 anos e portadoras de doenças crônicas que justifiquem, pode ser necessário complementar a vacinação com a vacina pneumocócica polissacarídica VPP23

Idosos: A Sociedade Brasileira de Imunização 2015/2016, recomenda iniciar com uma dose da VPC13 seguida de uma dose de VPP23 6 a 12 meses depois, e uma segunda dose de VPP23 5 anos depois da primeira. Para aqueles que receberam a VPP23 primeiro, recomenda-se o intervalo de 1 ano para a aplicação de VPC13. A segunda dose de VPP23 deve ser feita 5 anos após a primeira Para os que já receberam duas doses de VPP23, recomenda-se uma dose de VPC13, com intervalo mínimo de um ano após a última dose de VPP23. Se a segunda dose de VPP23 foi aplicada antes dos 65 anos, está recomendada uma terceira dose depois dessa idade, com intervalo mínimo de cinco anos da última dose.

Lembre-se: A importância da vacinação vai muito além da prevenção individual. Ao se vacinar, você está ajudando toda a comunidade a diminuir os casos de determinada doença.

Referencias: 1. Daniel M Musher. Pneumococcal vaccination in adults. UpToDate (2016). 2. Miwako Kobayashi et al. Intervals Between PCV13 and PPSV23 Vaccines: Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). Center for Disease Control and Prevention (2015). 3. Sociedade Brasileira de Imunização. Vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente – VPP23. SBIm 4. Sociedade Brasileira de Imunização. Vacinas pneumocócicas conjugadas. SBIm 5. Musher, D. M. Editorial commentary: should 13-valent protein-conjugate pneumococcal vaccine be used routinely in adults? Clin. Infect. Dis. 55, 265–7 (2012). 6. Pilishvili, T. et al. Sustained reductions in invasive pneumococcal disease in the era of conjugate vaccine. J. Infect. Dis. 201, 32–41 (2010). 7. Brasil. Calendário de Vacinação. Ministério da Saúde 8. SIPNI – Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações. Calendário de Vacinação do Adulto e do Idoso. DATASUS


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